PEREGRINOS JUNTOS EM CALCUTÁ

Comentários dos delegados da Zalca sobre a participação na Assembléia Geral Internacional

“Regressamos de Calcutá, da Assembléia Geral Internacional, com um sentido renovado da missão, com um maior conhecimento do estar em peregrinação juntos, de partilhas intensas, encontros e reencontros, de viver o diferente, o novo, a amizade, o cansaço, os odores e sabores de Calcutá, em fim….. uma experiência inesquecível, onde a riqueza da diversidade e sentido de unidade, nos chamam a compreender melhor as novas etapas da Federação, a um maior compromisso para viver os enunciados de Identidade e Missão;Maria Elvira Santacruz o chamado a tentar o risco de viver as mudanças estruturais e a busca de novas formas de integração da Pessoa Acolhida; são sem dúvida os aspectos com os quais regresso a nossa zona, sabendo do grande compromisso e trabalho a empreender ”

Maria Elvira Santacruz – Coord. Zalca

Participantes da Zalca à Assembléia Internacional

“Participar na Assembléia Geral da Arca Internacional é toda uma experiência de vida, de formação, de crescimento. Deixa-me muitos desafios sobre o que devemos fPedro Toussaintazer, sobre os passos que devemos dar no México para fazer vida a identidade e missão de uma comunidade que pertence a uma federação inspirada em princípios tão profundos. O desafio é levar isto ao México e construir as maneiras de fazê-lo vida na comunidade. Que o bom Deus, Pai e Mãe que nos ama, nos fortaleça para caminhar na vocação da Arca ” .

Pedro Toussaint – Presidente C.Adm. Arca Mexico d.f.

Para mim foi uma experiência muito gratificante, conhecer outra cultura diferente da nossa, com Nancy Lópezdiversos contextos religiosos. Este encontro me permitiu ter uma visão mais ampla da grande família Arca, da magnitude e da grande missão que temos como comunidades e o quanto afortunados somos em Choluteca de ser parte desta federação Internacional. Também escutar que partilhamos as mesmas dificuldades, mas que todos estamos orientados a uma só meta que é a de assegurar a qualidade de vida das pessoas acolhidas, as relações mutuas e o compromisso de cada membro, que é uma preocupação a todos os níveis”.

Nancy Lopez- Responsable Comunidad - Arca de Choluteca – Honduras.

“Na Assembléia vivemos uma experiência muito forte de unidade, sobretudo nas celebrações litúrgicas Maria Luisa Malbranque expressaram um espírito ecumênico”. “Participamos todos de importantes encontros com tantas pessoas de diferentes grupos culturais, idiomas, religiões; em meio das diferenças o que nos unia fortemente era a presença da pessoa com deficiência; esta presença longe de ser simbólica foi real enquanto deram seus testemunhos e opiniões”. “Sinto que a decisão a uma abertura, a vivência que é possível ver a Arca crescendo há uma maior coerência do que Jean Vanier profetizou com sua visão de unidade e paz é o mais forte e transformador que viví e que levo em meu coração”.

Maria Luisa Malbrán. -Presidente C.Adm. Arca Argentina

Rosa Arteaga“Participar da Assembléia Geral da Arca é de muito crescimento em espírito e valores da Arca; de muita reflexão pessoal sobre nosso compromisso com a pessoa acolhida. O chamado que nos fez Jean Vanier a trabalhar pela paz e não pelo poder, mas por amar cada dia mais, criar laços de amizade, conheocer-nos e intercambiar idéias e sentir-nos parte de uma só família no mundo inteiro é algo que me tocou muito, algo que se alguém abre o coração, vive com intensidade e nunca se esquece”.

Rosa Arteaga –Responsable Comunidad - Arca de Tegucigalpa, Honduras.

“A Assembléia, definitivamente foi uma semana como nenhuma outra que vivi. Foi uma experiência Mireille Khairallahintensa e muito grata. Me senti totalmente acolhida pelos organizadores, pela comunidade da Índia e também por todos os membros presentes. Me senti parte desta grande família tão diversa, mas também tive breves momentos de sentir a fragilidade de nossa comunidade e uma espécie de isolamento do todo. Me encantou a presença e a participação das pessoas acolhidas de várias regiões do mundo; igual que todas as atividades nas quais participamos e onde se nota que todas as opiniões são escutadas. Nesta semana, senti muita alegria e a presença de Deus, de qualquer forma que o celebramos, no centro da Arca. Foi um momento de entender e sentir a profundidade do que é a Arca no mundo ”.

Mireille Khairallah – Miembro Consejo Administración , Arca Querétaro, México.

“Foi para mim, uma grata e primeira experiência participar numa Assembléia Internacional da Arca em Calcutá, lModesto Vindelugar com uma cultura diferente da nossa, mas que me serviu para aprender algo novo de seus costumes e vivências. Em primeiro lugar, porque minha participação foi numa época de transição de Conselho de Administração da minha comunidade, que me provocou estar atendendo toda a correspondência recebida das diferentes responsáveis do evento, para que este pudesse resultar com o êxito obtido. Foi muito grato o relacionamento com o Senhor Jean Vanier que provoca nas Pessoas muita espiritualidade, simplicidade e humildade. Também foi interessante encontrar tantas Pessoas interessadas em conhecer a Deus e dar-se através daqueles que transmitem Amor ” 

Modesto Vindel. Presidente C. Administración. Arca Tegucigalpa.  

“Assistir a Assembléia Geral da Arca foi para mim um privilégio que agradeço a Deus infinitamente; neste encontro pude constatar esse milagre de unidade e esperança e dava graças ao Senhor porque a semente que germinou através de Jean Vanier há 44 anos frutificou em todo o mundo. Estava meditando no fato de ver tanta gente de tão diferentes lugares, unidas por um espírito comum, a Missão da Arca, a Visão da acolhida. Dou muitas graças a Deus por esses 7 dias de intensa atividade entre exposições dos membros do Comitê Internacional, o trabalho em pequenos grupos, a peregrinação à casa de Gandhi, as celebrações religiosas multiconfissionais tão enriquecedoras e como broche de ouro, a mensagem tão carregada do espírito cristão de Jean Vanier, recordando-nos que “o opressor também deve mudar “ e a frase do professor Luther Smith, um sinal de esperança: “Durmam tranquilos….Deus está acordado .”

Nilda Fernandez. Miembro del C. Administración. El Arca Rep. Dominicana.

“Calcutá foi surpreendente. Primeiro o impacto ante o caos, a pobreza, a sujeira da cidade. Depois, o Rui Terenziimpacto da acolhida da comunidade e dos organizadores, o capricho extremo com que prepararam tudo, nos mínimos detalhes. O tema das palestras e das discussões em grupo foram muito produtivos. E as cerimônias religiosas em todos os cultos foram de uma sensibilidade tocante. Atravessei Calcutá como um pequeno barco em um mar ora revolto, ora tranqüilo, ora com sol, ora com tempestades. Uma mistura de emoções, ora de pertencer a um grande grupo, ora isolado deste mesmo grupo. Foi realmente um grande aprendizado, e espero poder traduzi-lo para minha comunidade, e fomentar nosso crescimento através dele. Inesquecível! ".

  Rui Terenzi – Presidente C. Administración. Arca do Brasil.

“ “Em Calcutá, também vivemos uma mini-Assembléia de nossa Zona, com nossos delegados (bem rIone Aparecida Xavierepresentados por Fredy e Antoine) e em nossa Grande Assembléia Internacional, num país como a Índia, me deu a dimensão deste importante e difícil momento de mudanças que estamos vivendo nas Arcas de todo o mundo. Estivemos por vários dias em contato com o diferente (cultura e hábitos dos Hindus) e tratamos de respeitar esta diferença, apesar de sua complexidade; como disse o neto de Gandhi em seu discurso, “A Índia é assim e ninguém quer mudar esta realidade”. Para muitos a realidade de Calcutá foi muito forte, mas penso que assim é nossa vida. Apesar e graças a nossas diferenças, conseguimos viver uma unidade que só a vida comunitária pode explicar por si mesma.”

Ione Aparecida Xavier – Presidente del Consejo Administración de Zalca.

"Calcutá para mim, foi muita felicidade e emoções fortes, também de descobrimentos. Creio que nunca antes havíamos sentido esta diversidade na unidade e também estes ventos de mudança na Federação. Creio que desde já falaremos “de assembléias da arca antes da Índia e assembléias depois da Índia”. Muitas imagens e lembranças perduraram em mim: os amigos da Índia, sua autenticidade, sua acolhida e essa explosão de cores e sabores. As discussões sobre o compromisso à Arca também me marcaram com um pouco de inquietação pelo futuro. Não osquecerei jamais a última imagem de Jean Vanier, com essa lição de humildade e de perdão".

Evelyne Verdier. C. Administración- Arcas de Haití.

Delegados de las Arcas de Américalatina

“…“…Ele me encheu de luz, de vida e me deu muita força”

Texto escrito por Fredy Lainez da Arca de Choluteca (Honduras) sobre sua participação na assembléia internacional da Arca na Índia.

Esta assembléia para mim foi muito boa, uma vez que pude conhecer mais irmãos e irmãs de outras Arcas no mundo. Algo que gostei muito foi quando conheci Jean Vanier, eu não podia crer que tinha ele na frente dos meus olhos, me sentia muito contente, quando ele me abraçou, senti como se fosse um abraço do santo Papa, João Paulo II, ele me encheu de luz e de vida, me deu mFredy y Jean Vanieruita fortaleza, eu queria que todos em minha comunidade estivessem e vivessem este momento.

Dou graças a Deus por ter me permitido conhecer tanta gente, as comunidades gêmeas, as pessoas que nos apóiam, eu disse a eles que sempre estarão em minhas orações, eles foram muito amáveis, tiramos fotos juntos. Algo que me chamou a atenção foi que em Calcutá tinham muitos deuses e em Honduras só há Jesus e respeitamos a virgem Maria, minha responsável me disse que isso era algo cultural, próprio da Índia. A pesar de que me explicou, ainda assim não entendo como adoram ouros deuses que não seja Jesus. Uma coisa que não gostei foi a comida, tinha muita pimenta e um sabor muito esquisito que eu não gostava, mas esse é o costume de lá.

Em geral, meus companheiros de quarto Miguel e Pedro da Espanha foram muito bons, atenciosos comigo, o mesmo com senhor Modesto de Tegucigalpa, a pesar de ser o único que se levantava mais tarde. Ele muito preocupado por mim, à noite punha uma máscara nos olhos que me fazia rir (óculos de noite para evitar a claridade da luz) e eu não sabia se ele estava acordado ou não para dizer que se levantasse.

Tudo foi uma experiência interessante para mim, subir num avião foi muito bonito, à princípio tive medo, mas depois não tive nenhum medo, minha responsável e eu nos demos as mãos para dar coragem um ao outro, já que ela também tinha medo, mas depois já não precisamos mais.

Agradeço a todos aqueles que tornaram possível que eu fosse à Índia, principalmente a Deus que tornou possível tudo isso. Amém.

Fredy Lainez, Honduras

Antoine, de El Arca Haiti


"Meus dias na Assembléia "

Vivências de Antoine George, delegado da Arca de Chantal (Haiti), sobre a Assembléia Geral Internacional de Calcutá.

De nossa viagem à Índia, estou surpreso por seu idioma, Não pude compreender nada, também por sua forma de se vestir, sobretudo os homens que se vestem com Sari, como as mulheres e por seu costume de comer com os dedos; a comida é muito diferente da que como em minha casa. Depois de várias refeições, pude comer sem problemas.

O pão se chama ruty e eles também servem o frango como em minha casa, que chamamos Frango bucanero.

Da assembléia geral da Arca, primeiro foi o encontro com todas as comunidades da Arca, a acolhida de todos e depois a possibilidade que tive de conhecer muitas pessoas amáveis. Fiquei muito contente em voltar a ver Jean Vanier e participar em sua grande festa e contente, também, em encontrar nossos amigos de Québec e Canadá.

Antoine George, Haiti

“… Ao reencontrar a família ficamos comovidos pelo ânimo e a esperança de cada um…”

"Relatos de nossas férias pelas Arcas de Honduras e da República Dominicana". (Françoise Uylenbroeck)

 

Neste verão de 2008 tive a grande sorte de acompanhar o padre Jean Kockerols da Bélgica a uma viagem por Honduras e República Dominicana. Ele queria realizar um sonho para celebrar seus 50 anos: conhecer um pouco da América Latina, ver, sentir, encontrar gente da igreja, confrontar esta vivência com tudo o que ouviu e leu sobre ela e faze-lo passando pela “porta santa” das comunidades da Arca e seus amigos. Ele foi assistente na Arca por 3 anos antes de ser ordenado sacerdote.

Primeiro chegamos um domingo pela manhã a Tegucigalpa , no aeroporto, nos esperavam desde cedo vários amigos das comunidades de Tegu e Choluteca, de imediato me amoleceu o coração de tanta emoção, fiquei sem palavras, olhando e abraçando cada um. Havia algo tão tranquilo na Marcia, Jony e Santos, muita paz e uma alegria profunda. Encontrei depois de todos estes anos, pessoas adultas, ao mesmo tempo os mesmos, mas diferentes, simplesmente felizes de voltar a ver uma irmã. Não podia deixar de contemplá-los; só esta acolhida já eram férias! E este sentimento, eu tive durante toda a viagem: reencontrar minha família, como um parente que se foi aos Países por longos anos sem voltar.

Neste mesmo domingo, fomos à missa na basílica de Suyapa e ofereceram ao padre Jean, concelebrar e ler o longo evangelho do semeador, diante de uma igreja cheia de fieis!!!, Este foi seu batismo imediato na igreja de Honduras! Depois, com toda a comunidade, almoçamos na Casa Nazareth; me comoveu ver os amigos que rodeiam o lar, casais jovens com história na Arca e que a cuidam tanto. Raízes que vão dando corpo à Arca de hoje. Obrigada Rosa por tudo o que partilhamos.

Héctor me emprestou seu quarto para que dormisse tranqüila e passamos quatro dias juntos no lar, partilhando e jogando. Um tesouro imenso! Apesar de que às vezes tinham que me amarrar para não andar na rua longas horas, com os vizinhos, as comadres e os amigos!

E a oficina, que edifício mais belo! Gostei muito da tarde de formação com os assistentes e o testemunho de seu caminhar na Arca. De todos os lados, tantas perguntas, mas também tantos frutos, tanto amor que brota das amizades que se vão tecendo e fortalecendo cada dia na comunidade; tanta beleza e pureza em um mundo tão duro e violento.

Depois fomos para Choluteca com Santos, Pedro e Elizabeth, sem esquecer as deliciosas rosquillas de Sabana Grande. Era o dia do cacique Lempira, celebrado em todo o país a identidade hondurenha. Então nos acolheram na comunidade com danças folclóricas. Incrível! Mil agradecimentos Nancy, por tanto carinho. O trabalho na oficina é de muita beleza e dignidade! É verdadeiramente um lugar onde as pessoas se sentem gente! E ver como os operários gostam do seu trabalho!

Paty havia deixado sua casinha para o Padre; passamos um tempo muito bom entre Flor del Campo e a casa San José. Fiquei admirada por Angélica e Kellin, as duas responsáveis de lar. Estão fazendo um grande trabalho e apesar de sua juventude, assumem muitas responsabilidades. Outro momento forte foi na celebração da missa na oficina; Padre Jean celebrou com Pipe a seu lado e na homilia falou dos sinais de Jonas e quais são estes sinais hoje: acolhida, perdão e alegria. Disse que por isso, todos somos um milagre de Deus. Perguntou a Pipe, para ilustrar seu propósito: “Pipe, a vida comunitária é sempre fácil?” “Sim, Padre”, disse Pipe! Pensou que Pipe ia dizer que não e perguntou outra vez, mas Pipe, rindo, disse outra vez que sim!!! Bela lição para nós!

No domingo, fomos visitar o Padre Florentino na paróquia San José Obrero, é um amigo da Arca há muitos anos, nos levou a uma celebração da Palavra de Deus muito interessante. Não havia luz, era de noite e a capela estava cheia de gente.

Há meu Deus, tinha que despedir-me para voar há Santo Domingo!

Chegamos tarde da noite e estava Sandra, o avô Goyo, seu filho e até Frank Eli; membro do Conselho Adm. da Comunidade; esperando-nos no calorzinho gostoso da ilha. No dia seguinte, tivemos um lindo encontro com os assistentes. Eram muitos, muito alegres, quase todos novos, em torno de Anny, Sandra, Clara, Flor e Rafaela. Outra vez, o mesmo milagre: cada um está aprendendo tanto, convivendo ou trabalhando com os jovens acolhidos apesar de tantas perguntas e dúvidas.

Era tempo de férias para a oficina e planejavam cada dia atividades recreativas. Assim foi que nos levaram um dia ao mar, desfrutamos das belas praias deste país e como gostei de voltar a nadar com Luisito, com Luis Rafael e minha afilhada Jocelyne.

Comoveu-me, reencontrar todos estes gestos familiares da vida cotidiana, coar café, fazer arroz com comcom, lavar a roupa da maneira “dominicana”, me escondendo da Tata que fazia brincadeiras, lavar a louça com Heriberto e Jocelyn, e ver…novelas com Flor! Desfrutamos de uma noite no lar “Jesus Amigo”, com o filme “Perico Ripiao”; Isso sim que é típico dominicano e ainda que a tenham visto umas 50 vezes, Heriberto, Flor e Jesus riam sempre muito.

Padre Jeam concelebrou na paróquia e disse ao final da missa, que pedia a Deus duas coisas: que lhe desse uma igreja cheia de gente como esta e um coro que cante como o de Marcos!

Tantos encontros lindos que vivemos, com Maria Elvira, Carmen-Jane, Antonio e Milagros e também um domingo inteiro com Padre Javier s.j, que acompanhou a comunidade da Arca durante uns anos e agora é pároco de um dos bairros mais “violentos” da capital. Ele nos levou para conhecer a Ciénaga, imenso bairro à margem do rio Ozama. Milhares de casinhas construídas sobre um pântano, o solo, sempre úmido, com tudo o que isto pode ter de perigo. Vimos tanta gente boa, uns projetos de escolinhas para os jovens dominico-haitianos que crescem sem certidão de nascimento, sem possibilidade de conseguir uma identidade legal.

Tivemos a grande felicidade, também, de ir uns dias à fronteira do Haiti, no norte da ilha, vivendo com os padres jesuítas em Loma de Cabrera. Ali vive Max Michel s.j. um amigo belga de muitos anos, o irmão Arzeño e Padre David Pantaleón s.j que canta e põe em música os salmos de Benjamín González Buelta s.j,. Foram dias de descanso, de oração e de visitas também. Fomos ao mercado de Dajabón, aberto para as pessoas do Haiti. Estivemos um bom tempo nesta ponte-fronteira, olhando as pessoas que vão e vêm; levam cargas muito pesadas até os caminhões do outro lado da fronteira. O quFrancoise ( Chica)e será deles depois destas recentes tormentas e ciclones?

Meu coração está pleno de todos estes encontros. As pessoas da Arca de Honduras e da República Dominicana são tão parte de mim. Ao mesmo tempo sei que é bom para mim estar de regresso em Bruxelas para viver simplesmente o que me toca viver.

Quero dizer a todos obrigada por tanto carinho, por todos estes anos vividos juntos que são nossos, que nada pode apagar e por sorte! Como disse um amigo da Arca aqui na Europa, esta viagem “me fez cair de joelhos em meu coração”.

Françoise Uylenbroeck (Chica)


Oficina de Inculturação no Canadá e visita à comunidades dos EUA

por Salvador "Chavo" Delgado

De 7 a 12 de maio tivemos uma oficina de Inculturação junto a várias comunidades da Arca e foi muito gratificante para mim. Não estamos sozinhos, existem outras pessoas que têm nossos próprios ideais. O tema da inculturação foi muito importante já que estamos começando uma etapa de conhecimento de nossas culturas, abertos a partilhar e aprender de outras. A oficina foi muito boa, com muito trabalho a realizar por parte de cada comunidade, para estar sempre em contato com outras culturas enriquecendo-nos delas, enquanto respeitamos sempre a nossa.

Vivendo com outras comunidades se aprende muito, já que compartilhamos a mesma espiritualidade. As pessoas acolhidas não vêm, nem importa a elas o idioma nem as condições sociais ou raciais. Eles são tão sinceros e carinhosos que se deixam amar por todos, a pesar de às vezes não ter sido fácil a comunicação verbal, existiu uma comunicação muito positiva através da comunicação não verbal. Isso fortalece aos que queremos viver e partilhar nossa vida na Arca.

A experiência que vivi na comunidade de Tacoma foi muito rica, já que me permitiu ver como suas oficinas são muito boas para o crescimento dos acolhidos. A pesar de que são muito diferentes às nossas, são similares no sentido de que dão uma melhor dignidade aos acolhidos e trabalhar é uma responsabilidade para eles. É assim que eles vêm e desfrutam. A organização e a grande ajuda que têm dos governos locais foi um ensinamento muito grande para mim e me convida a seguir lutando pelos direitos das pessoas com deficiência. Ajudam a que lhes seja dada uma vida melhor, com dignidade e confiança e que sejam reconhecidos como pessoas úteis na sociedade e para a sociedade.

Salvador Delgado (Chavo) - Responsável da Comunidade El Arca de Querétaro.

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Posso dizer que a experiência foi altamente positiva. Foi muito interessante conhecer a realidade da Arca dentro de um contexto cultural tão diferente ao próprio, como também, poder fazer parte da experiência de uma Comunidade com mais história e caminho percorrido.

Tinha muito desejo em poder conhecer outras comunidades da Arca. No Canadá pude começar a transitar por este caminho da diversidade e das semelhanças. Apesar de viver em lugares muito distantes, realidades muito diferentes, pude constatar que há um “ar” muito característico que se respira dentro do ambiente da Arca. É estranho, mas pode-se sentir parte da família, ainda entre pessoas que nunca se viu anteriormente. Tive esta experiência tanto no Canadá como nos EUA. Isto me leva a pensar que estamos unidos por laços espirituais muito fortes, que têm a ver com esta experiência da relação com a pessoa com deficiência. Ela nos faz entrar numa terra comum na qual caminhamos juntos tecendo esta aliança de amizade.

Pessoalmente, posso dizer que fui muito bem recebido em ambos os lugares. Nos EUA, onde passei a maior parte do tempo, me senti como em minha própria casa desde o momento da minha chegada.

Basicamente, pude observar que os desafios e questões da vida comunitária são similares em todas as partes. Creio que há duas grandes preocupações que estão latentes nos diferentes contextos:

1- A espiritualidade da Arca: num contexto onde há certas dimensões da vida comunitária que tendem a profissionalizar-se, se apresenta o desafio de manter a mística, aquele núcleo que alimenta a vida comunitária e lhe dá seu horizonte de sentido;

2- Os assistentes e as diferentes modalidades de presença e participação dentro da vida comunitária.

Nos EUA tive a oportunidade de ir percorrendo os diferentes setores da Comunidade: desde a vida cotidiana nos lares, até o trabalho administrativo no escritório. Fiquei surpreso com a boa organização que existe neste lugar. Creio que isto faz parte do contexto cultural. Por outro lado, há uma preocupação em aprofundar na espiritualidade.

Fernando Barilatti, Responsável Arca Argentina.